domingo, 20 de abril de 2014

Informativo: DMU (Deficiência Múltipla e Surdocegueira)


A Pessoa com Surdocegueira

Segundo MClnnes (1999), a premissa básica é que a surdocegueira é uma deficiência única e requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e um sistema para dar este suporte. O referido autor subdivide as pessoas com surdocegueira em quatro categorias:
·         Indivíduos que eram cegos e se tornaram surdos;
·         Indivíduos que eram surdos e se tornaram cegos;
·         Indivíduos que se tornaram surdocegos;
·         Indivíduos que nasceram ou adquiriram surdosegueiras precocemente, ou seja, não tiveram oportunidade de desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma compreensão de mundo.
O mesmo autor ainda relata que muitos indivíduos com surdocegueira congênita ou que a adquiriram precocemente têm deficiências associadas como: físicas e intelectuais. Estas quatro categorias podem ser agrupadas em surdocegos congênitos ou surdocegos adquiridos. E dependendo da idade em que a surdocegueira se estabeleceu pode-se classifica-la surdocegos pré-linguísticos ou surdocegos pós-linguísticos.

Aprendizagem das Pessoas com Surdocegueira

            Indivíduos com surdocegueira apresentam dificuldades em observar, compreender e imitar o comportamento de membros da família ou de outro que venha entrar em contato, isso causado pela combinação das perdas visuais e auditivas que apresentam. Existem importantes estratégias de intervenção para o estabelecimento da comunicação com a criança com surdocegueira, as técnicas “mão sobre mão” é um exemplo (a mão do professor é colocada em cima da mão do aluno de forma a orientar seu movimento, neste momento o professor tem o controle da situação, ou a mão do professor pode ser colocada embaixo da mão do aluno orientando seu movimento, mas não a controla dando oportunidade da Pessoa com Deficiência a explorar com segurança).










Atividade mão sobre mão

Segundo Ayres (1982) “a defesa tátil é a forma como a criança experimenta e reage de maneira negativa e emocionalmente às sensações do tato.”. É fundamental que a Pessoa com surdocegueira seja ensinada e motivada a descobrir como usar sua visão e audição residuais assim como outros sentidos remanescentes, fornecendo informações sensoriais que possam aguçar a sua vontade de buscar novas sensações. A aprendizagem incidental se torna menos acessível à pessoa com surdocegueira devido as perdas parciais ou totais dos sentidos, isto é, audição e visão; fazem com que a informação chegue de forma entrecortada, não entendendo ou não tendo nexo, consequentemente a Pessoa fica retraída. É aí que entra a importância do mediador para passar as informações integralmente. Se torna imprescindível: sistemas de comunicação adequados, o ambiente deve ser planejado e organizado adequadamente para facilitar sua inserção e interação com pessoas e objetos; a antecipação de tudo que vai acontecer, o local e a atividade, a estimulação para a Pessoa procurar se comunicar e explorar o ambiente.
            Se a comunicação efetiva não for estabelecida na infância a Pessoa quando adulta poderá fazer uso de comportamentos inadequados para se comunicar.
            A comunicação é uma das principais barreiras encontradas pela pessoa surdocega. Por esse motivo o ensino de métodos de comunicação eficazes deve ser priorizado. É relevante destacar que o tato desempenha um papel crucial na comunicação, constituindo a via promissora no estabelecimento das interações com o ambiente.

Pessoa com Deficiência Múltipla

            “São consideradas pessoas com Deficiência Múltipla àquelas que têm mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, relevando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social.” MEC/SEESP, 2002.
            Esses alunos constituem um grupo com características específicas e peculiares e, consequentemente, com necessidades únicas. É imprescindível dois aspectos importantes: a comunicação e o posicionamento.
·         Comunicação
Toda e qualquer forma de comunicação e atividade de aprendizagem é fundamental respeitar a dignidade e individualidade de cada aluno com deficiência múltipla. Isso se refere a pessoas que necessitam de um mediador entre ele e o meio fazendo esse estabelecimento de códigos comunicativos entre a pessoa com deficiência múltipla e o receptor.  Este mediador será responsável em ampliar o conhecimento de mundo dessa pessoa visando proporcionar-lhe autonomia e independência, não perdendo o contexto no qual está acontecendo à comunicação, onde as manifestações ocorrem e sua frequência para compreender o que realmente o aluno quer passar para compreender melhor o que ele tem intenção de comunicar e responder.
·         Posicionamento
É muito importante uma boa adequação postural. Trata-se de colocar o aluno sentado em uma cadeira de rodas, ou cadeira comum, ou mesmo deitado; de forma confortável para que possa participar das atividades propostas e possa fazer uso da comunicação de gestos ou movimentos com os quais possa ser compreendido e consiga usufruir técnicas de comunicação. Existem alguns cuidados básicos como o campo visual do aluno ou mesmo a acuidade visual que poderão influenciar os movimentos posturais em busca do melhor ângulo.
  
Necessidades específicas das pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla

Nos seres humanos o corpo é a realidade mais imediata. Por meio dele e a partir dele o Homem descobre o mundo e a si mesmo.
            Para a pessoa com surdocegueira e deficiência múltipla o desenvolvimento do esquema corporal é fundamental.
            Para que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior é necessário buscar a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus movimentos, a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular.
            As pessoas com sudocegueira e com deficiência múltipla que não apresentam graves problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos devido às dificuldades fonoarticulatórias, motoras ou mesmo neurológicas é comum nessas pessoas algum tipo de limitação na comunicação e no processamento e elaboração das informações recolhidas do seu entorno.
            Prioritariamente deve-se, portanto, disponibilizar recursos para favorecer a aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros registros como o gestual.
            Mesmo quando a deficiência predominante não é nã área intelectual, todo trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com sua surdocegueira implica em constante interação com o meio ambiente. Este processo interacional é prejudicado quando as informações sensoriais e a organização do esquema corporal são deficitárias. Prever a estimulação e a organização desses meios de interação com o mundo deve fazer parte do Plano do AEE.
            Para todo e qualquer aluno é necessário repensar a organização espacial da escola e da sala de aula. As estratégias e os recursos para aprendizagem dos alunos com surdocegueira e deficiências múltiplas são fundamentais para o sucesso do aluno.

Estratégias utilizadas na aquisição da comunicação

            Objetos de referência, caixa de antecipação, calendários, adequações visuais, materiais didáticos visuais e auditivos, TA (tecnologia assistiva).
·         Comunicação Receptiva;
·         Comunicação Expressiva;
·         Comunicação Alternativa.
O sistema de comunicação para a pessoa com surdocegueira pré-linguístico (não tem um sistema de comunicação estabelecido) precisará aprender a usar os resíduos tanto visuais quanto auditivos, usando pistas, uso de calendário para estabelecer uma rotina, usar objetos referência para a sua comunicação.
Outra forma de comunicação é a LIBRAS, Todoma (sistema de comunicação que a pessoa recebe a falta através do tato), Dactilologia, guia intérprete (pessoa que auxilia na comunicação da pessoa surdocega fazendo descrição visual e passando informações).

É muito importante a motivação da criança, a parceria da família e a organização de um AEE articulada com a Escola/Família/Parceiros. É fundamental acreditar nas potencialidades da Pessoa com Deficiência Múltipla e Surdocegueira, pois é isso que faz a diferença.

Um comentário:

  1. Foi muito interessante o texto informativo escrito e publicado, no que se refere a comunicação como elemento essencial e que pode ser uma das barreiras principais para a pessoa com surdocegueira. Concordo com você e entendendo que a escola vem a contribuir para diminuir essa dificuldade, tendo um trabalho focado na comunicação com estratégias de intervenções e assim de tudo respeitando a individualidade de cada aluno que tange a aprendizagem. Parabéns!!!
    Waldete.

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