A
Pessoa com Surdocegueira
Segundo MClnnes (1999), a
premissa básica é que a surdocegueira é uma deficiência única e requer uma
abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e um sistema
para dar este suporte. O referido autor subdivide as pessoas com surdocegueira
em quatro categorias:
·
Indivíduos que eram cegos e se tornaram
surdos;
·
Indivíduos que eram surdos e se tornaram
cegos;
·
Indivíduos que se tornaram surdocegos;
·
Indivíduos que nasceram ou adquiriram
surdosegueiras precocemente, ou seja, não tiveram oportunidade de desenvolver
linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a
qual possam construir uma compreensão de mundo.
O mesmo autor ainda relata
que muitos indivíduos com surdocegueira congênita ou que a adquiriram
precocemente têm deficiências associadas como: físicas e intelectuais. Estas
quatro categorias podem ser agrupadas em surdocegos congênitos ou surdocegos
adquiridos. E dependendo da idade em que a surdocegueira se estabeleceu pode-se
classifica-la surdocegos pré-linguísticos ou surdocegos pós-linguísticos.
Aprendizagem
das Pessoas com Surdocegueira
Indivíduos
com surdocegueira apresentam dificuldades em observar, compreender e imitar o
comportamento de membros da família ou de outro que venha entrar em contato,
isso causado pela combinação das perdas visuais e auditivas que apresentam.
Existem importantes estratégias de intervenção para o estabelecimento da
comunicação com a criança com surdocegueira, as técnicas “mão sobre mão” é um exemplo (a mão do professor é colocada em cima
da mão do aluno de forma a orientar seu movimento, neste momento o professor
tem o controle da situação, ou a mão do professor pode ser colocada embaixo da
mão do aluno orientando seu movimento, mas não a controla dando oportunidade da
Pessoa com Deficiência a explorar com segurança).
Atividade mão sobre mão
Segundo Ayres (1982) “a
defesa tátil é a forma como a criança experimenta e reage de maneira negativa e
emocionalmente às sensações do tato.”. É fundamental que a
Pessoa com surdocegueira seja ensinada e motivada a descobrir como usar sua
visão e audição residuais assim como outros sentidos remanescentes, fornecendo
informações sensoriais que possam aguçar a sua vontade de buscar novas
sensações. A aprendizagem incidental se torna menos acessível à pessoa com
surdocegueira devido as perdas parciais ou totais dos sentidos, isto é, audição
e visão; fazem com que a informação chegue de forma entrecortada, não
entendendo ou não tendo nexo, consequentemente a Pessoa fica retraída. É aí que
entra a importância do mediador para passar as informações integralmente. Se
torna imprescindível: sistemas de comunicação adequados, o ambiente deve ser
planejado e organizado adequadamente para facilitar sua inserção e interação
com pessoas e objetos; a antecipação de tudo que vai acontecer, o local e a
atividade, a estimulação para a Pessoa procurar se comunicar e explorar o
ambiente.
Se
a comunicação efetiva não for estabelecida na infância a Pessoa quando adulta
poderá fazer uso de comportamentos inadequados para se comunicar.
A
comunicação é uma das principais barreiras encontradas pela pessoa surdocega.
Por esse motivo o ensino de métodos de comunicação eficazes deve ser
priorizado. É relevante destacar que o tato desempenha um papel crucial na
comunicação, constituindo a via promissora no estabelecimento das interações
com o ambiente.
Pessoa
com Deficiência Múltipla
“São
consideradas pessoas com Deficiência Múltipla àquelas que têm mais de uma
deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes
grupos de pessoas, relevando associações diversas de deficiências que afetam,
mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento
social.” MEC/SEESP, 2002.
Esses
alunos constituem um grupo com características específicas e peculiares e,
consequentemente, com necessidades únicas. É imprescindível dois aspectos
importantes: a comunicação e o posicionamento.
·
Comunicação
Toda e qualquer forma de comunicação e
atividade de aprendizagem é fundamental respeitar a dignidade e individualidade
de cada aluno com deficiência múltipla. Isso se refere a pessoas que necessitam
de um mediador entre ele e o meio fazendo esse estabelecimento de códigos
comunicativos entre a pessoa com deficiência múltipla e o receptor. Este mediador será responsável em ampliar o
conhecimento de mundo dessa pessoa visando proporcionar-lhe autonomia e
independência, não perdendo o contexto no qual está acontecendo à comunicação,
onde as manifestações ocorrem e sua frequência para compreender o que realmente
o aluno quer passar para compreender melhor o que ele tem intenção de comunicar
e responder.
·
Posicionamento
É muito importante uma boa adequação
postural. Trata-se de colocar o aluno sentado em uma cadeira de rodas, ou
cadeira comum, ou mesmo deitado; de forma confortável para que possa participar
das atividades propostas e possa fazer uso da comunicação de gestos ou
movimentos com os quais possa ser compreendido e consiga usufruir técnicas de
comunicação. Existem alguns cuidados básicos como o campo visual do aluno ou
mesmo a acuidade visual que poderão influenciar os movimentos posturais em
busca do melhor ângulo.
Necessidades
específicas das pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla
Nos seres humanos o corpo é
a realidade mais imediata. Por meio dele e a partir dele o Homem descobre o
mundo e a si mesmo.
Para
a pessoa com surdocegueira e deficiência múltipla o desenvolvimento do esquema
corporal é fundamental.
Para
que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior é necessário
buscar a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a
harmonização de seus movimentos, a autonomia em deslocamentos e movimentos; o
aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o
desenvolvimento da força muscular.
As
pessoas com sudocegueira e com deficiência múltipla que não apresentam graves
problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos devido às dificuldades
fonoarticulatórias, motoras ou mesmo neurológicas é comum nessas pessoas algum
tipo de limitação na comunicação e no processamento e elaboração das
informações recolhidas do seu entorno.
Prioritariamente
deve-se, portanto, disponibilizar recursos para favorecer a aquisição da
linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros
registros como o gestual.
Mesmo
quando a deficiência predominante não é nã área intelectual, todo trabalho com
o aluno com deficiência múltipla e com sua surdocegueira implica em constante
interação com o meio ambiente. Este processo interacional é prejudicado quando
as informações sensoriais e a organização do esquema corporal são deficitárias.
Prever a estimulação e a organização desses meios de interação com o mundo deve
fazer parte do Plano do AEE.
Para
todo e qualquer aluno é necessário repensar a organização espacial da escola e
da sala de aula. As estratégias e os recursos para aprendizagem dos alunos com
surdocegueira e deficiências múltiplas são fundamentais para o sucesso do
aluno.
Estratégias
utilizadas na aquisição da comunicação
Objetos
de referência, caixa de antecipação, calendários, adequações visuais, materiais
didáticos visuais e auditivos, TA (tecnologia assistiva).
·
Comunicação Receptiva;
·
Comunicação Expressiva;
·
Comunicação Alternativa.
O sistema de comunicação
para a pessoa com surdocegueira pré-linguístico (não tem um sistema de
comunicação estabelecido) precisará aprender a usar os resíduos tanto visuais
quanto auditivos, usando pistas, uso de calendário para estabelecer uma rotina,
usar objetos referência para a sua comunicação.
Outra forma de comunicação é
a LIBRAS, Todoma (sistema de comunicação que a pessoa recebe a falta através do
tato), Dactilologia, guia intérprete (pessoa que auxilia na comunicação da
pessoa surdocega fazendo descrição visual e passando informações).
É muito importante a
motivação da criança, a parceria da família e a organização de um AEE
articulada com a Escola/Família/Parceiros. É fundamental acreditar nas potencialidades da
Pessoa com Deficiência Múltipla e Surdocegueira, pois é isso que faz a
diferença.

Foi muito interessante o texto informativo escrito e publicado, no que se refere a comunicação como elemento essencial e que pode ser uma das barreiras principais para a pessoa com surdocegueira. Concordo com você e entendendo que a escola vem a contribuir para diminuir essa dificuldade, tendo um trabalho focado na comunicação com estratégias de intervenções e assim de tudo respeitando a individualidade de cada aluno que tange a aprendizagem. Parabéns!!!
ResponderExcluirWaldete.